1ª Conferência Druídica e Reconstrucionista Celta de Curitiba 1°Ciclo

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Um novo passo foi dado pelo Druidismo e Reconstrucionismo Céltico no Paraná nesse último final de semana. E um passo grande, se lembrarmos que, até bem pouco tempo atrás, a maioria das pessoas sequer ouvia falar de grupos druídicos paranaenses; mas a situação mudou, eles apareceram (sim, “apareceram”, e não “nasceram”, pois a maioria deles já existia), se organizaram, e tem feito o possível para colocar o seu estado (e sua capital, Curitiba) no mapa da espiritualidade céltica nacional. O trabalho conjunto desses grupos tem ajudado a nossa crença a crescer em um ambiente onde ela encontrava pouco respaldo. Ainda há muito a ser feito, mas com um passo de cada vez, e o bosque druídico paranaense pode nos presentear com muitos bons frutos.

Como o colhido nesse final de semana: a realização do primeiro ciclo de palestras da Airechtas – Conferência Druídica e Reconstrucionista Celta de Curitiba. Um evento pensado pelos membros do grupo reconstrucionista  Fíne na Dairbre, e que contou com a ajuda de todos os outros grupos druídicos da capital paranaense, com a intenção de abrir as portas do Druidismo (e da crença céltica) ao público local, que carece de eventos como esse, bem como de informação sobre os grupos, tanto locais quanto de outros estados. Com essa convenção o público curitibano poderá ter acesso a informações sobre o paganismo céltico nacional, bem como a palestras e atividades relacionadas ao assunto, algo que não ocorria antes. E para dar uma pequena contribuição ao evento, parti em direção à capital paranaense, ansioso pelo evento e por rever velhos amigos, bem como conhecer novas pessoas. Fui hospedado pelo casal organizador do evento, e não seria justo deixar de citar a hospitalidade com que fui recebido; não é a primeira vez que Erik e Enbarr me recebem em sua casa, e sempre o fazem com toda a dignidade de um antigo nobre céltico. Agradeço aos dois pelo abrigo, pela excelente comida e pela agradável companhia de sempre.

O evento ocorreu na chamada Casa Amarela, próxima ao centro de Curitiba. O lugar é bastante aconchegante, bom para eventos intimistas, e acolheu muito bem esse primeiro ciclo de palestras. O evento começou no ensolarado sábado, dia 20 de abril. Um público satisfatório estava presente, incluindo velhos amigos de São Paulo (como o pessoal da Tribo da Onça Parda) e de Santa Catarina (como membros do Caer Ynis), além dos membros dos grupos organizadores e algumas pessoas da cena pagã local. A infraestrutura do local era boa e, apesar de alguns problemas com a instalação dos equipamentos, as palestras começaram com um atraso pequeno. O clima entre os participantes era bom, amistoso (o fato de muitos já se conhecerem ajudou nisso), e as atividades ocorreram com poucos reveses.

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A primeira palestra, com Ana Elisa Bantel, de Ponta Grossa – PR, falou sobre “As Origens da Cultura Celta no Oeste Europeu”; talvez a mais apropriada realmente para iniciar o evento, pois tratava do mais antigo período a ser estudado ao longo do evento. Ana, com sua forte formação acadêmica, nos presenteou com uma palestra bastante didática e interessante, falando sobre as mais antigas populações da Europa Ocidental, e sua influência na formação da cultura, espiritualidade, e mesmo da genética dos povos célticos, sempre pautada em estudos arqueológicos atualizados. O evento começava bastante proveitoso e, após um curto intervalo, partimos para a segunda palestra, falando sobre a “Sociedade Celta e a Busca pela Honra”, com o organizador Erik Wroblewski, do grupo Fíne na Dáirbre. O palestrante, graças à sua formação como historiador, apresentou um resumo bastante coerente sobre o estudo dos povos célticos, bem como a estrutura básica de sua sociedade, antes de entrar no tema principal: a noção céltica de “honra” e a enorme importância que ela tinha dentro da cultura desses povos. Utilizando como principal referência o Ciclo Mitológico Ultoniano da Irlanda, Erik nos mostrou um aspecto bastante importante para os praticantes da espiritualidade céltica, afinal, não basta praticar uma religião sem aplicar seus valores à vida diária. Veio então a terceira palestra, de Cássia Dias, do grupo Forest Secret de Curitiba; o tema, “Geobiologia Druídica e a Arte do Habitat Saudável”, parecia ser bastante diverso dos outros, mas encaixou-se como uma luva. Em uma palestra interessantíssima, Cássia prendeu a atenção de todos, nos presenteando com os conceitos básicos da Geobiologia, e como ela pode ser aplicada ao estudo das antigas sociedades europeias (tudo muito bem pautado com gráficos, mapas e exemplos), bem como à nossa vida prática, aqui mesmo no Brasil. De longe, uma palestra que deixou a todos com um gostinho de “quero mais”…

DSCN0646DSCN0667Palestra da Cássia

Tivemos, então, uma pausa para um coffee-break, onde todos tiveram a chance de conversar, tirar algumas dúvidas e relaxar. Eu mesmo tive um proveitoso papo com um fabricante de hidromel local, que me deu preciosas dicas sobre o preparo dessa bebida tão apreciada. Mas logo retomamos o evento, com a palestra da organizadora Enbarr Ní Manannán, do grupo Fíne na Dáirbre, falando sobre “Ritual e Simbolismo: Adaptação do Mito à Prática”; Enbarr, formada antropóloga, domina esse tema como poucos, e dissertou muito bem sobre as questões cosmogônicas que envolvem as diversas mitologias e sua função na ritualística, utilizando exemplos principalmente tirados da mitologia gaélica. Ótima palestra, muito instrutiva e que gerou uma boa roda de considerações e perguntas no seu final. Para fechar o dia, veio a palestra deste que vos escreve, falando sobre a “Estratificação Social no Mundo Céltico e sua Influência no Neopaganismo”; por ser a minha palestra, não tenho muito o que falar, mas foi um prazer estar lá apresentando o tema. Talvez ele tenha sido um pouco básico demais para os “veteranos” presentes (e desde já me desculpo com eles), mas eu o escolhi pensando justamente em algo que pudesse ser apresentado a um público não acostumado a ter esse tipo de evento. Mas ainda assim, foi uma palestra divertida, e espero que todos tenham encontrado alguma coisa útil nela.

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Voltamos para a casa de Erik e Marina, onde Ana Elisa e eu nos hospedamos, e tivemos um gostoso jantar e uma boa conversa devaneando sobre a situação do Druidismo e Reconstrucionismo no Brasil, bem como sobre futuros eventos do tipo na capital paranaense; mas logo fomos para nossas camas, pois o evento seria retomado na manhã seguinte. Cedo estávamos de pé e preparados, e retornamos à Casa Amarela para um café da manhã comunitário com os participantes, onde foi confirmado o clima amistoso entre todos. A primeira palestra do dia foi a de Leandro MacLorihem, da Brathair an Fiachán Gorm, falando sobre “Instrumentos Musicais dos Povos Célticos e a Gaita de Foles”;  uma palestra muito gostosa, afinal, a grande maioria das pessoas presentes é apreciadora da chamada “música celta”, sobre o qual muitos dos conceitos foram desmistificados; talvez o melhor na palestra do Leandro tenha sido mostrar a importância da música na ritualística, algo essencial dentro das religiões pagãs; nossa espiritualidade segue os ritmos e ciclos da Terra, e a música nos dá uma chance de celebrar esses ritmos com nossas próprias melodias. Exímio gaiteiro, ele ainda nos deu uma demonstração tocando sua gaita galega. A última palestra veio com José Paulo Almeida, da Clareira Coré-Tyba (e também parte do grupo Caer Ynis, de Florianópolis), que nos falou do “Despertar: Como os Druidas Renasceram no Século XVIII”, em uma repetição da palestra ocorrida no III Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico (ocorrido em novembro de 2012, em Novo Hamburgo – RS), dessa vez para o público local. Em uma atividade muito informativa, o JP desmistificou muitas das figuras que ajudaram a formar as primeiras ordens druídicas dos tempos modernos, bem como explicou como eles chegaram a suas ideias e formaram a estrutura daquilo que é chamado por alguns de “Meso-Druidismo”; a palestra foi muito importante para retirar preconceitos sobre esse movimento (que algumas pessoas no Brasil teimam em manter), bem como nos ensinar algo sobre essas pessoas que foram as primeiras a estudar o Druidismo com a intenção de “ser” parte dele, não só como observadores externos.

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O evento se aproximava do final, e tivemos uma divertida hora de fotos entre os palestrantes e o público, bem como bate-papos, tudo isso ao som do bodhrán e da tin whistle do Leandro e do Rafael Corr (do Caer Ynis de Florianópolis), mas logo fomos à última atividade do dia: a mesa-redonda sobre o Druidismo e o Reconstrucionismo Céltico. Ela foi presidida (inicialmente apenas) por mim, na condição de convidado de outro estado, mas era aberta à participação de todos. Inicialmente, foi apresentada por mim a polêmica questão sobre o divisão do Druidismo e o Reconstrucionismo Céltico, sendo que ambos andam por estradas semelhantes, com práticas semelhantes e valores semelhantes. JP explicou ao público, rapidamente, o que é Druidismo, enquanto Erik fez o mesmo com o Reconstrucionismo. A discussão migrou rapidamente para os valores éticos de ambas as espiritualidades, e também para as suas metodologias de estudo. Em tudo, chegávamos sempre a conclusões melhores sobre as similaridades do que sobre as diferenças entre as duas, mostrando que o intercâmbio entre elas é sempre proveitoso e saudável. Infelizmente, não pude acompanhar a discussão até o final, pois meu táxi já chegava e a viagem de volta a São Paulo me aguardava. Despedi-me de meus bons amigos e parti, com uma certa pontada de arrependimento de não ter podido ficar até o final. Mas voltei para cá, feliz de ter feito a minha parte, e espero que o evento tenha ajudado a cena pagã na capital paranaense. Fico muito ansioso pelos próximos, e espero que essa semente plantada germine e cresça. Agora que o primeiro já aconteceu, temos algo para mostrar e ajudar na divulgação dos próximos, e Curitiba só tem a ganhar com isso. Agradeço a todos os presentes, principalmente a meus amigos de Curitiba pelo convite. Nos vemos em breve!! Então, ergamos um copo em brinde por essa vitória!! Sláinte!!!

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7 opiniões sobre “1ª Conferência Druídica e Reconstrucionista Celta de Curitiba 1°Ciclo

  1. Oi! Onde posso ficar sabendo quando terá mais? Só fiquei sabendo disso tarde demais e fiquei com vontade de ter ido, gostaria de ir numa próxima. Tem alguma página no facebook que posso seguir?

  2. Como eu não soube poxa. A tempos busco isso em Curitiba., Espero que venha mesmo em Agosto o próximo evento. Estarei lá com toda certeza dessa e das outras vidas.

    • Espero que ambos possam estar conosco; se quiser, deixe um e-mail de contato e a organização os avisará do próximo evento!

      • Posso deixar meu email pra ser avisada também, então? Tenho medo de não ver se for publicado em algum lugar, hehe. nocturnine5@yahoo.com.br Obrigadíssima 😉

      • Claro, o evento tem a intenção de aumentar a interação entre as pessoas de Curitiba e do restante do Paraná com interesse na cultura e espiritualidade célticas. Por isso a presença de todos é bem vinda.

  3. Caroline e Rick, o próximo evento já tem data marcada, quando tudo estiver pronto eu mando o email, mas vocês já podem ter acesso às informações por aqui:
    http://airechtas.wordpress.com/airechtas-outono-de-2013/

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