Resenha: Aírechtas de Primavera 2013

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No dia 05 de Outubro de 2013  foi realizado o segundo ciclo de palestras do Aírechtas: Conferência Druídica e Reconstrucionista Celta de Curitiba. Como a primeira edição, realizada no outono deste mesmo ano, o evento primou pela organização impecável, sempre mérito do grupo Fína na Dairbre; o evento está se tornando a grande referência do Druidismo em Curitiba e sempre atrai pessoas de outros estados, como São Paulo e Rio Grande do Sul. Dessa vez não foi diferente; e mais uma vez esse Bardo partiu para a bela (e já tão querida) cidade de Curitiba para participar desse evento, novamente a convite do Fíne na Dairbre Protogrove ADF, que sempre me proporcionam essa honra, além de  serem anfitriões de primeira categoria, verdadeiros adeptos da virtude céltica da Hospitalidade. Agradeço  aqui novamente à Marina Holderbaum e ao Erik Wroblewski pela recepção, abrigo e boa conversa, como sempre.

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Palestra da Marina

O evento foi realizado no Solar do Rosário, no Centro Histórico de Curitiba, um lugar muito bonito e aconchegante, e que acolheu a todos com muita honra. O equipamento estava perfeito, mais um mérito da organização. O público foi chegando aos poucos, mas logo todos estavam no local; e o evento começou sem grandes atrasos. A primeira a falar foi a anfitriã e organizadora, Marina Storino Holderbaum, a querida Enbarr de quem a conhece do meio druídico, do Fíne na Dairbre, com uma oficina sobre Meditação Druídica, enfocando as técnicas de meditação usadas por grupos de orientação Reconstrucionista, exemplificando claramente as diferenças entre as diversas formas de meditação, como entre a Oriental e a Ocidental, e usando exemplos da mitologia gaélica como base para demonstrar como poderia funcionar o processo de meditação dos antigos Fíli da Irlanda; uma palestra realmente muito proveitosa. Após o final da palestra, com direito a um bate-papo sobre o tema, veio a vez deste que voz escreve subir ao palco; como foi minha palestra, não vou me deter muito sobre ela, deixando apenas o assunto (“Mitologia Celta e a Ligação com a Natureza”),  e um pedido de desculpas por ter me estendido MUITO no tempo da palestra; apesar de eu sentir que a mensagem tenha sido passada a contento. E mesmo com a minha demora, havia uma palestra genial por vir: José Paulo Almeida, da Clareira Coré-Tyba (Curitiba) e do Caer Ynis (Florianópolis), veio com um tema que hoje ganha cada vez mais relevância no Druidismo moderno e no Reconstrucionismo, “Entre a Fé e a Espada: Vivendo a Fé Celta no Caminho do Guerreiro Poeta”. Certamente os Deuses inspiram esse homem, pois sua palestra não beirou a perfeição, ela a atingiu com louvor; JP é um dos grandes articuladores dos diversos movimentos druídicos e reconstrucionistas do Brasil, talvez um dos membros essenciais de nossa comunidade hoje, e a mensagem que ele passou foi marcante: em um meio com tantas pessoas buscando seguir um caminho sacerdotal, precisamos de mais “guerreiros”, de mais pessoas que estejam dispostos a nos defender com as armas que o mundo moderno exige.  Precisamos de mais homens e mulheres dispostos a encarnar o espírito dos antigos Fianna nos nossos dias. De pessoas que sejam guerreiros, não pelo prazer da discussão e disputa, mas pela defesa de nossa tradição. Uma palestra realmente memorável.

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Apresentação do Thunder Kelt

Após a palestra do JP, partimos para um almoço coletivo em um pub irlandês próximo, aproveitando um dia quente e agradável em Curitiba, e desfrutando da beleza do seu Centro Histórico; um almoço agradável, com conversas sobre assuntos diversos, como tem de ser entre amigos. Mas logo voltamos ao Solar para continuar o evento, já com as barrigas cheias. E começamos com um belo show da banda local Thunder Kelt, que conta entre seus membros Leandro MacLorihem, da Brathair na Fiachán Gorm, e uma participação especial do incrível vielista Raine Holtz; fomos presenteados com um ótimo set canções típicas da Irlanda, Escócia e Galícia. Com todos novamente “no clima”, foi a vez de Ana Elisa Bantel subir ao palco, com mais uma palestra fantástica, falando sobre o papel da mulher na sociedade céltica; usando habilmente exemplos da mitologia Ultoniana, essa hábil historiadora desmistificou muito do papel feminino na sociedade céltica antiga; o tema já foi abordado de muitas formas dentro do nosso meio, mas a Ana merece aplausos, não só pela abordagem atual, mas também pela maneira que ela organizou os tópicos, usando uma personagem feminina para representar um diferente aspecto do papel feminino na sociedade tribal irlandesa. Uma palestra para aplaudir de pé. Então veio o historiador Erik Wroblewski, do Fíne na Dairbre, com mais uma palestra para ficar na memória, pois desmistifica muitas ideias preliminares sobre a cristianização da Irlanda; de fato, Paganismo e Cristianismo nas Fontes Literárias da Irlanda Tardo-Antiga desfez vários mitos a respeita da entrada do cristianismo na Irlanda, o papel de Patrício, e o convívio entre as duas religiões na ilha durante algum tempo; por trabalhar com fontes sempre atualizadas (como é normal para alguém de abordagem acadêmica), Erik pode falar com propriedade sobre o assunto, e demonstrou com grande quantidade detalhes como o cristianismo se assentou gradualmente na Irlanda antiga; no mínimo, memorável. O evento se aproximava do final, mas havia ainda um workshop a ser feito, e ele veio com  a organizadora Marina Holderbaum, falando sobre a confecção de oferendas votivas para rituais; Marina tem um dom artístico raro, além de uma base de estudos rara, o que gerou um workshop  apreciadíssimo por todos, inclusive com  uma discussão bastante longa e elucidativa sobre a diferença entre oferenda e sacrifício; admito que já estou fazendo meus testes aqui com o que aprendi lá. E esse workshop fechou o evento com chave de ouro, deixando com a todos com gosto de “quero mais”.

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Palestra Erik Wroblewski

Após o final do evento, partimos para uma noite de celebração entre amigos, conversando animadamente sobre diversos assuntos novamente; o clima era agradável e amigável, e todos nos divertimos muito. Agradeço de novo a todos os organizadores, aos grupos druídicos de Curitiba por estarem criando uma cena tão maravilhosa na sua cidade (de longe a cena druídica que mais cresce no nosso país), aos amigos de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul presentes, e à cidade de Curitiba por me receber novamente; é sempre uma honra receber o convite, e sempre faço o melhor para corresponder às expectativas. E como é de costume, eu sempre volto com mais do que fui (fora o conhecimento e experiência adquiridos), e agradeço aos meus amigos, os anfitriões Marina e Erik, pelo presente recebido, a muda de carvalho, que já está alojada confortavelmente em casa. Sláinte, a chairde!! Até a próxima!! Para a comunidade druídica nacional: nos vemos no EBDRC!!

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