Orações

Runā Antes da Oração na Keltikā Labarā

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Esse blog está meio inativo, mas agora a página da Ordem Druídica Ramo de Carvalho está em manutenção, então vou aproveitar para postar algum material aqui (e passar para lá depois).

Começo aqui com uma tentativa de passar a famosa Runā Antes da Oração para o Proto-Céltico. Este é um tipo de oração que é feita antes de trabalhos sagrados, seja ao amanhecer, seja literalmente logo antes do trabalho sagrado. Ela podia ser feita de duas formas: em um canto murmurado e solitário ou em coletivo, junto às ondas do mar, ondas que são justamente a fonte da inspiração desse tipo de canto, sussurrado, ululante, cadenciado, quase como se os cavalos de Manannán carregassem as palavras ao Outro Mundo.

A tradução foi feita com a ajuda de Condēṷi̭os Andīlixtos, dos blogs Celtocrābiion e Além da Névoa

Mou̯ās lamās regū (Eu ergo minhas mãos)
Ad derkā Ai̯dou̯s me gegnīs-i̯o (Aos olhos de Aedh que me criou)
Ad derkā Lugou̯s me lulou̯ge-i̯o (Aos olhos de Lugh que me apoiou)
Ad derkā Ogmi̯ī me glanâs-i̯o (Aos olhos de Oghma que me purificou)
Eni kari̯āi̯ rei̯xsmani-kwe (Em amizade e aliança)

Ā Dei̯u̯ūs sou̯obis φratobis (Através das vossas bênçãos, ó Deuses)
Φembetom eni ansei̯ nāu̯itei̯ φarnate (Concedam-nos a plenitude em nossa necessidade)
Sterkām Briganti̯ās (O amor de Bríghid)
Karum Rīgantonās (A afeição de Rhiannon)
Gwenom Makwonī (O sorriso de Mabon)
U̯issum Monandagnī (A sabedoria de Manannán)
Obnum Mārorīgani̯ās (O temor de Morrigu)
Adkwe au̯islom Nou̯dontos (E a vontade de Nuada)

Gnīmou̯ eni dumnei̯ Trii̯om (Para fazer no mundo dos Três)
Ambiφari Dei̯u̯ūs, Senisterūs, Sīdi̯ūs-kwe (Como os Deuses, Ancestrais e Sídhe)
Eni Andedumni gnī̆i̯ont (Fazem no Outro Mundo)

Eni kwākwei̯ skātei̯ lou̯kei̯-kwe (Em cada sombra e luz)
Kwākwei̯ diu̯ei̯ noxti-kwe (Cada dia e noite)
Kwākwā tanā eni kari̯āi̯ (Cada vez em amizade)
Sou̯om φratom ansobos φarnate (Concedam-nos a vossa bênção)

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A Caçada Selvagem

Oh, Gwynn, que cavalga nas horas escuras

Cuja floresta é o lar e que é o regente da Caçada Selvagem.

Tua cavalgada que corre entre os mundos

Com os cães negros de Annwn uivando,

Com as almas dos guerreiros seguindo,

A colheita das almas realizando.

Tua cavalgada que corre nas noites de inverno,

Para os feixes das vidas dos homens ceifar,

Para que o novo ocupe o seu lugar,

Para o passado enterrar.

Tua cavalgada com os cães de Annwn,

Que os homens temem como a Morte,

Que os sábios veem como do passado o corte,

Que ocorre quando as almas estão à sua sorte.

Três bênçãos do Céu para o que entende essa sorte

Que sabe que a vida sempre existe com a morte.

Que sabe que todos partem um dia,

Que entende que ainda há lembrança onde uma pessoa havia.

Três bênçãos da Terra para o que entende essa sorte

E que, na vida, permaneceu forte.

Que sabe que a vida na terra exige o trabalho,

Que sabe que o honrado deixa essa vida orgulhoso.

Três bênçãos do Mar para o que entende essa sorte,

E sabe que o uivo dos cães de Annwn é mais que um corte.

E que sabe que o rompimento na era mais fria é um sinal,

De que o passado se foi, e a vida continua afinal.

Nós ouvimos o sinal das eras,

E entendemos que tudo é um ciclo,

Abandonar o passado é das lições mais duras,

Mas todo rompimento é apenas uma viagem.

Sempre haverá um reencontro posterior,

Essa é a lição que nos passa, tu

Que é Gwynn, que cavalga nas horas escuras

Cuja floresta é o lar e que é o regente da Caçada Selvagem.

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