Poesia

A Assembleia dos Corvos

Para lá, para cá
Entre gritos e grasnados,
Entre vento, névoa e chuva
Entre confusão e não-saber
Essa é a estação dos espíritos.

Para lá, para cá,
Como a revoada de corvos
Para cima, para baixo
Com medos e alegrias
Essa é a estação das brumas.

Onde nada é o que se é,
Onde nada é o que parece
Onde a vontade é trêmula
E a espada não se sustenta.
Essa é a estação da indefinição.

Para lá, para cá
De cá medos foram trazidos
Para lá, para cá
De lá novos medos ecoaram
Essa é a estação dos medos.

Para lá, para cá,
Como o grasnar dos corvos
Como as vozes mil espíritos gritando
Com as ondas de emoções caóticas
Essa a estação das dúvidas.

Para lá, para cá,
Para lá foram os medos de que não os ama
Para lá, para cá
Para cá ficou apenas o que optamos por carregar.
Essa é a estação de Samonios.

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Imagem “Flight of the Ravens”, por Humanoid1

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Descansar, soldado!

(uma última inspiração do Samhain, uma homenagem merecida a quem partiu no início desse ano; lamento que essa homenagem seja póstuma, tão tardia, mas hoje, olhando o todo, vejo que você merecia muito mais; pai, eu sinto saudades, mas espero que tenha encontrado seu caminho para as Terras Eternas, e que nos encontremos no mundo renovado) 

Descansar, soldado,

Pois sua missão terminou;

Sua marcha está encerrada,

Sua arma guardada,

Sua batalha terminada,

Sua guerra acabou.

Descansar, soldado,

Pois foi finalmente reconhecido;

Mesmo com todos os erros,

Mesmo com alguma injustiça,

Mesmo que tardiamente,

Sua honra é merecida.

Descansar, soldado,

Pois cumpriste tua missão;

Viveste a vida intensamente

Não conheceste a servidão,

E daqueles que um dia não reconheceram

Um hoje pede seu perdão.

Descansar, soldado,

Pois finalmente alcançaste a paz;

Sem mais desentendimentos,

Sem mais discussões,

Sem mais injustiças,

Para o soldado que agora jaz.

Altar dos Ancestrais, com objetos de nossos entes queridos.

Altar dos Ancestrais, com objetos de nossos entes queridos.

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A Caçada Selvagem

Oh, Gwynn, que cavalga nas horas escuras

Cuja floresta é o lar e que é o regente da Caçada Selvagem.

Tua cavalgada que corre entre os mundos

Com os cães negros de Annwn uivando,

Com as almas dos guerreiros seguindo,

A colheita das almas realizando.

Tua cavalgada que corre nas noites de inverno,

Para os feixes das vidas dos homens ceifar,

Para que o novo ocupe o seu lugar,

Para o passado enterrar.

Tua cavalgada com os cães de Annwn,

Que os homens temem como a Morte,

Que os sábios veem como do passado o corte,

Que ocorre quando as almas estão à sua sorte.

Três bênçãos do Céu para o que entende essa sorte

Que sabe que a vida sempre existe com a morte.

Que sabe que todos partem um dia,

Que entende que ainda há lembrança onde uma pessoa havia.

Três bênçãos da Terra para o que entende essa sorte

E que, na vida, permaneceu forte.

Que sabe que a vida na terra exige o trabalho,

Que sabe que o honrado deixa essa vida orgulhoso.

Três bênçãos do Mar para o que entende essa sorte,

E sabe que o uivo dos cães de Annwn é mais que um corte.

E que sabe que o rompimento na era mais fria é um sinal,

De que o passado se foi, e a vida continua afinal.

Nós ouvimos o sinal das eras,

E entendemos que tudo é um ciclo,

Abandonar o passado é das lições mais duras,

Mas todo rompimento é apenas uma viagem.

Sempre haverá um reencontro posterior,

Essa é a lição que nos passa, tu

Que é Gwynn, que cavalga nas horas escuras

Cuja floresta é o lar e que é o regente da Caçada Selvagem.

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Nessa Assembléia (um poema em homenagem ao II Encontro Nacional de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico)

Nessa Assembleia

Havia nobres moças
Havia homens honrados
Havia muitas tribos em uma
Onde a natureza foi louvada
Onde as tradições foram lembradas
Onde o solo foi honrado
Nessa assembleia.

Havia risos e conversas
Havia danças e canções
Havia amigos e irmãos
Onde comemos juntos
Onde partilhamos o hidromel
Onde o passado foi lembrado
Nessa assembleia,

Havia louvores aos Deuses
Havia o amor pela Terra
Havia o respeito pelos Ancestrais
Onde a chuva nos atingiu
Onde o vento nos refrescou
Onde o fogo foi aceso
Nessa assembleia,

Havia paz entre as tribos
Havia amizade entre os membros
Havia satisfação nos olhos
Onde armas foram brandidas em paz
Onde palavras foram ouvidas com respeito
Onde o entendimento foi partilhado
Nessa assembleia,

Wallace William

17/11/2011.

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