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A Tempestade Está Aqui

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Por Morpheus Ravenna; traduzido para o português por Wallace Cunobelinos com a permissão da autora. A versão original pode ser vista neste link: http://bansheearts.com/the-storm-is-here/ 

 

Por muitos anos eles têm nos dito para estarmos preparados: uma tempestade está vindo. Reúnam o seu povo. Estejam prontos.  A Morrigan me sussurrou isso em uma montanha batida pelo vento na primavera de 2011, e eu logo entendi que pessoas ao redor de todo o mundo estavam ouvindo a mesma mensagem. Dela e de outros Deuses também. Uma tempestade está vindo. Estejam prontos. Unam suas tribos.

Eu sinto que a tempestade está aqui. Nós estivemos sentindo suas agitações por alguns anos, ventos incertos que trazem um arrepio de alerta e carregam o odor de mais por vir. Nós temos operado por algum dentro do declínio em câmera lenta de um império; esses declínios possuem momentos de mudança gradual e tempos de caos e desmoronamentos súbitos. Este é um desses momentos.

Eu não preciso detalhar a vocês a razão para essa postagem: vocês terão visto o choque e o horror girando ao redor do mundo quando a nação mais poderosa e militarizada na terra se colocou nas mãos de um excêntrico demagogo sem respeito pela democracia, à frente de uma turba viciosamente racista, sexista e violenta. Vocês terão visto a onda de crimes de ódio, ataques, agressões e ameaças. Aqueles em maior risco entre nós — a comunidade LGBT, pessoas de cor, imigrantes, muçulmanos, judeus e mulheres — tem os olhos mais claros para o que está acontecendo.

O que fazemos? Nessa manhã, meu propósito aqui não é dar um plano de ação compreensível. Outras pessoas estão desenvolvendo essas coisas e eu posso ter mais a adicionar posteriormente.

O que eu desejo partilhar com vocês é isso: Nossa força está uns nos outros. Vocês não estão sozinhos. E por mais terrível que esse momento seja, muitos de nós tem a consciência encravada em nossos ossos de que fomos feitos para tempos como esses. Nós reconhecemos esse momento como aquele para o qual foi pedido que estivéssemos prontos, de modo que somente esse amor tão feroz de um pelo outro e somente todo esse desafio poderiam brotar em nós. Para que pudéssemos saber que, por mais aterrorizante que possa ser, os Deuses sabiam que os teríamos em nós para resistir e sobreviver se nos juntarmos. A primeira coisa que precisamos fazer é confiar uns aos outros.

Repetidas vezes, das pessoas em minha vida que estão mais em risco do ódio crescente, e do povo que o Sacerdócio Coru esteve aconselhando e apoiando nessa semana, eu tenho ouvido isso: “Eu preciso saber que vocês vão lutar por mim. Eu preciso saber que eu não estou enfrentando isso sozinho. Eu preciso saber que vocês não vão assistir e deixa-los me tornar um alvo”. Eu pensei sobre isso enquanto nos preparávamos para a nossa devoção pública de outono nesse final de semana. As palavras vieram da Morrígan:

Eu não sou um guerreiro, você disse
Por que você me chamou, Rainha?
Eu te chamei para amar
Eu te chamei para fazer do seu amor uma canção de batalha
Eu te chamei porque eu vi seu coração
Pois eu sou a Mãe dos Heróis
E eu conheço o ritmo do seu coração
Você não precisa conhecer as danças das armas
Para ser a lança em Minhas mãos
Você não precisa ser forte no corpo
Para ser o forte corpo da Minha espada
Você precisa apenas se levantar para a batida que o chama
Erga-se para Mim e diga
Empenhe ao seu coração sua batida
Empenhe ao seu povo o amor
Empenhe-se a lutar pelos outros
E eu reconhecerei você como Meu.

E ela nos deu uma promessa para fazer, uma promessa de lutar uns pelos outros. Na noite do sábado, nós nos reunimos perante um altar adornado com Seu ícone e Sua presença. Nós cantamos Seus nomes e oferecemos nossas devoções. Então nós paramos em um anel protetor, circundando e mantendo aqueles que pedem por proteção, e nos comprometemos a lutar uns pelos outros, por aqueles que estão em maior risco do que nós. Nós consagramos alfinetes de segurança para usar enquanto levamos esse comprometimento adiante a cada dia.

Mãe das Batalhas, ouça minha oração
Em tempo de violência, ódio e medo
Que a feroz força do amor me mova
Que a coragem de amor me eleve
Que a tenacidade do amor me enraíze.
Mãe dos Heróis, receba o meu coração
Conceda-me a proteção de sua presença
Conceda-me o apoio da sua hoste
Conceda-me a Luz do Herói
E eu me manterei firme pela união.
Mãe das Vitórias, receba meu compromisso:
Para o meu povo sob ataque,
Eu erguerei minha voz para silenciar o ódio
Eu a erguerei para protege-los da violência
Eu permanecerei convosco quando precisarem de um herói,
Eu enfrentarei o terror convosco
Eu partilharei descanso e proteção convosco
Eu vos abraçarei e lutarei por vós
Eu não deixarei o estado de alerta
Até que a tempestade passe e a soberania da justiça surja
Pois eu sou o corpo do amor
Eu sou a arma do amor
Eu sou o amor lutando por si mesmo.

Eu partilho isso com vocês, pois espero que seja de alguma ajuda. Todos lendo isso nesse momento, mesmo se você não tema por si, você tem pessoas na sua vida que estão em risco, que precisam de sua solidariedade e apoio. Ficará mais difícil antes de se tornar mais fácil, e a coisa mais fácil do mundo será deixar esse momento passar e se tornar o novo normal sem resistência. Vai nos custar proteger uns aos outros; isso significa assumir riscos para a nossa própria segurança, nossos trabalhos, nossa posição social. Mas saiba, e mantenha esse conhecimento, que a Luz do Herói irrompe sobre aqueles que escolham se arriscar a serviço de seu povo acima da segurança pessoal. Saiba que os Deuses da batalha e soberania estão com você quando você resiste e luta pelos outros. Saiba que é para isso que fomos feitos: para amar uns aos outros e viver.

Se essa promessa te inspirar a fazer um comprometimento similar, você é bem vindo. Adapte-a como quiser: altere a oração para incluir suas próprias divindades. Escreva outra. Diga-a perante seus Deuses, e de alguém na sua comunidade que pode receber seu comprometimento.

Nós podemos fazer isso, amigos. A vida que está em nós, a coragem, o coração, a alma, a vontade em nós são o suficiente. Se amarmos uns aos outros e deixar que esse amor ser o que mais importa.

Redes de solidariedade que provém ajuda e apoio mútuos estão sendo tecidas enquanto falamos. Se você precisar de apoio, procure-as. Como minha honrada amiga Elena Rose diz, “Encontre uma mão e a segure”.

 

(NOTA DO TRADUTOR: Aqui o post cita diversas redes de solidariedade no território norte-americano; eu as manterei em respeito ao artigo, mas é óbvio que devemos encontrar redes apropriadas em nossos próprios países)

 

Postagens recentes sobre resistência e redes de solidariedade:

Resistance Matters

Solidarity Networks

Crisis support:

National Suicide Prevention Lifeline: 1-800-273-8255

Trans Lifeline: (877) -565-8860

Trevor Project: (866)-488-7386

Helpful organizations:

Resources for Social Change

Organizing for Power

Black Lives Matter

Showing Up For Racial Justice

Campaign Zero against police violence

Support Muslim people in your community with Council on American-Islamic Relations

Help immigrants and new Americans

RAINN: Rape, Abuse & Incest National Network aiding victims of sexual violence

ACLU: Working for civil rights and constitutional liberties

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A Assembleia dos Corvos

Para lá, para cá
Entre gritos e grasnados,
Entre vento, névoa e chuva
Entre confusão e não-saber
Essa é a estação dos espíritos.

Para lá, para cá,
Como a revoada de corvos
Para cima, para baixo
Com medos e alegrias
Essa é a estação das brumas.

Onde nada é o que se é,
Onde nada é o que parece
Onde a vontade é trêmula
E a espada não se sustenta.
Essa é a estação da indefinição.

Para lá, para cá
De cá medos foram trazidos
Para lá, para cá
De lá novos medos ecoaram
Essa é a estação dos medos.

Para lá, para cá,
Como o grasnar dos corvos
Como as vozes mil espíritos gritando
Com as ondas de emoções caóticas
Essa a estação das dúvidas.

Para lá, para cá,
Para lá foram os medos de que não os ama
Para lá, para cá
Para cá ficou apenas o que optamos por carregar.
Essa é a estação de Samonios.

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Imagem “Flight of the Ravens”, por Humanoid1

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Pela primeira vez no nordeste!!! Cronograma e Informações: http://ebdrc.wordpress.com/v-encontro-brasileiro-de-druidismo-e-reconstrucionismo-celta/

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IV Samhain do Ramo de Carvalho

Em um final de semana quente, mas que prenunciava a chegada do frio (o que aconteceu literalmente), o grupo Ramo de Carvalho se reuniu para a sua  quarta celebração de Samhain, a festividade do final da colheita, da chegada da estação fria e, principalmente, a Noite dos Ancestrais. Como dito, essa foi a quarta vez que o grupo celebrou o Samhain, e podemos dizer que ele definitivamente entrou em uma nova fase; foi o início do nosso quarto ano, um ano que promete mudanças, sejam ventos de tempestade ou agradáveis brisas mornas.  O Samhain sempre foi a cerimônia mais significativa para o Ramo de Carvalho, e dessa vez ela era ainda mais, pois muitos tinham entes queridos que fizeram recentemente a sua passagem para as terras eternas.

Nosso visitante, Brad (nome dado pelas meninas)

Nosso visitante, Brad (nome dado pelas meninas)

O lugar escolhido para o ritual foi uma chácara próxima à cidade de Mairiporã, não muito distante de São Paulo. Esse cão que vos late foi o primeiro a chegar, para abrir as portas e começar os preparativos, além de descansar um pouco. Logo os membros do grupo também chegaram, meus amigos, irmãos, companheiros, alguns de longa data, outros mais recentes, mas todos significativos para nosso clã do Carvalho; Rodrigo, Glauber, Lívia, Juliana, Aline, Celina, Mônica. Dessa vez, a cerimônia foi aberta a quem queria trazer seus parceiros na vida, afinal, não podemos querer retirar preconceitos sobre nossa espiritualidade se não permitirmos que essas pessoas a vivenciem junto conosco; assim, tivemos as agradáveis presenças dos namorados/noivos/esposas de três membros, que mostraram muita simpatia, mente aberta e inteligência.

Crepúsculo

Crepúsculo

Gastamos algum tempo com compras para o banquete, e resolvendo alguns problemas estruturais, mas após todos estarem devidamente alimentados e descansados, iniciamos os preparativos para a noite ritual. Colhemos a lenha para a fogueira, preparamos a comida, e montamos os altares. Para o Samhain, foi preparado um altar para os Ancestrais, separado do outro, pois essa era a sua noite. Com tudo pronto, fomos nos preparar pessoalmente para o rito. Enquanto isso, o nosso último membro, a mais que especial Samantha, chegava trazendo toda a sua empolgação e alegria. Agradecemos ao Rodrigo pela disposição em ir busca-la.

Fogueira

Nossa fogueira sendo acesa

A liturgia utilizada pelo Ramo de Carvalho (que utiliza elementos de diversas vertentes da espiritualidade céltica, mas principalmente do Reconstrucionismo e da ordem druídica norte-americana ADF, adaptados em um todo coerente) foi a utilizada, com algumas variações (pois espiritualidade não é estagnada, e sempre se transforma). A afirmação do objetivo e o centramento foram guiados por mim e, na purificação, tive a ajuda da Juliana, que purificou a todos com o incenso, e da Aline, que fez o mesmo utilizando a água do mar. A abertura do portal contou com a ajuda da Lívia, que fez a oferenda ao Guia das Almas, Manannán. Celina ajudou com a oferenda aos Espíritos da Natureza, e Mônica também o fez com o pedido de trégua aos Forasteiros. Agradecemos ao Pai de Todos, com a ajuda do Rodrigo, pelo final da colheita, e aceitamos os frutos que foram nossa recompensa. No final, para bem ou mal, aceitamos o que foi semeado. Glauber ajudou com o agradecimento à Grande Rainha, pedindo pela trégua do inverno das batalhas, e agradecendo pela passagem dos Ancestrais nessa época tão auspiciosa.

Altar dos Ancestrais, com objetos de nossos entes queridos.

Altar dos Ancestrais, com objetos de nossos entes queridos.

Então, chegou o momento de falarmos aos nossos Ancestrais, e também a todos os nossos entes queridos que partiram desse mundo, mas que estão mais próximos de nós no momento do Samhain, quando o véu entre os mundos se torna mais fino. Cada um de nós acendeu uma vela para seus ancestrais, e teve seu tempo para ter sua comunhão com eles. Alguns ficaram nitidamente emocionados, pessoas que tinham ligações muito fortes com seus ancestrais, como a Samantha, e outros que tinham esses entes queridos ainda no nosso mundo recentemente, como Juliana e eu, mas todos tiveram todo o tempo para expressar o que tinha aos espíritos. Após isso, uma última atividade ao redor da fogueira ainda tinha de ser feita: a renúncia dos últimos frutos; cada um de nós renunciou a um de seus objetivos plantados, mas que não tinham florescido até então. Sacrificando essa última parte da colheita, o último fruto, damos o espaço para o novo entrar em nossas vidas.

Preparação para o ritual

Preparação para o ritual

Partimos, então, para um banquete comunitário. Um prato para os Ancestrais foi preparado, e passamos boa parte da noite conversando. Os mais persistentes (este cão entre eles) ficaram até às quatro da madrugada. Mas no final, todos foram dormir, cada um tendo seus próprios sonhos, mas satisfeitos com o rito realizado. O encerramento formal só se deu no dia seguinte, após nos dedicarmos aos oráculos, tanto pessoais quanto do grupo. Os portentos que o Ogham trouxe ao grupo foram Onn (para a pergunta sobre se as oferendas foram aceitas, e a “roda” indica que sim), Ailm (para a pergunta sobre quais bênçãos os Deuses nos traziam, sugerindo novos entendimentos e novas missões por vir) e Luis (para a pergunta sobre o que mais eles pediam de nós; o significado interpretado é nos dedicar mais, e com mais inspiração, aos ramos deste carvalho que cresce). Após isso, nos voltamos à área ritual, e agradecemos à presença e às bênçãos dos Deuses, bem como a presença de nossos Ancestrais. O portal foi fechado, e o ritual foi dado como encerrado. Partimos, então, de volta à capital paulista, satisfeitos e em comunhão. O ciclo foi fechado, e agora se reinicia. Do caos primordial, agora nasce a ordem. Então, o nosso Carvalho chega ao quarto ano, e provavelmente permanecerá por muito tempo mais. Feliz Samhain a todos!!!

Fim da Fogueira

Fim da Fogueira

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